Hoje vinguei-me. Farta de mozzarellas, saladas com atum e bolachas de arroz (o gluten, sempre esse sacana), aproveitei o meu dia sabático, levantei-me cedo e alegre e fui ao
Mercato del Pesce de Veneza. Uma alegria, uma festa, nunca vi nada assim: tantas variedades, peixe galo delicioso, todo o tipo de crustáceos, robalos de alto mar, toro, polvos e lulas, tamboril de me fazer sonhar com mil arrozes, tantos peixes que nunca tinha visto, enguias de todos os tamanhos, lagostins vivos, moscardini (que são pequenos polvos), triglie (serão trilhas?), tudo muito fresco e bastante barato. Nem sabia por onde escolher! No final vim para casa com uma boa dose de linguadinhos, para além de um saco cheio de fiori di zucca, chicória, rúcula selvagem e muita fome!
Comecei por preparar as fiori di zucca: tirei-lhe o pé, as pequenas pontas verdes em redor da extermidade e o estame (o interior amarelo). Depois lavei-as, deixei-as escorrer a àgua e mergulhei-as num polme que já tinha feito com 1 ovo, um bocadinho de farinha, cerveja suficiente para fazer uma massa líquida mas bastante espessa e uma pitada de sal. Entretanto já tinha posto óleo a ferver e mergulhei-as no óleo bem quente, virando de vez em quando até ficarem douradas. Depois deixei-as secar em papel absorvente e temperei com um bocadinho de sal.
Quanto aos linguadinhos, passei-os por farinha e fritei-os em óleo quente.
Salteei a chicória em azeite e alho e temperei com sal, pimenta e limão.
Há muito tempo que não comia tão bem, na varanda de minha casa, com o sol, a conversar com amigos e a ver o gran canale. De facto são as coisas mais simples, a típica comida da avozinha, que melhor sabem, sobretudo quando as matérias primas são tão boas e frescas quanto estas!